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Finanças em tempos de coronavírus

15 de Maio de 2020

Finanças em tempos de coronavírus Aprox. 6 min de leitura

*Texto produzido por André Thums, colaborador e Educador Financeiro na Sicredi Serrana.

Falar de educação financeira na crise não é fácil, porque o saudável seria fazer deste tema uma rotina em nossas conversas com colegas de trabalho, com amigos e, principalmente, com a família.

É por isso que, neste momento, preferimos chamar a nossa interação de “caminhos para passar pela crise do coronavírus da melhor forma”. É fato que há motivos para preocupação, porém o que precisamos elencar como prioridade nº 01 é colocar em prática os cuidados de saúde recomendados e evitar o desespero.

Feito isso, temos que ter consciência de que esta crise trará sérios impactos nas finanças dos brasileiros, principalmente na parcela da população que não tem reservas para situações de emergência. Se você se reconhece neste grupo, fica a dica de prioridade nº 02 – “feche a torneira” e reduza ainda mais os gastos.

Acreditamos que o ajuste financeiro nunca foi tão necessário quanto agora, e isso vale para todos! Quem está em quarentena, ou trabalhando em home office, deve preocupar-se com gastos adicionais, como alimentação, luz, internet, entre outros. Mais complexa é a situação das pessoas que ficarão sem renda por serem autônomas e as atividades estarem interrompidas, dos que terão salários reduzidos ou perderão seus empregos e daqueles que, antes mesmo da crise, já estavam com dificuldades financeiras.

Mesmo com este quadro pouco animador, afirmamos que esta pode ser a oportunidade de planejar, de agir com prudência e responsabilidade, para sairmos fortalecidos e com muitos aprendizados deste período.

Compartilhamos com você, caro leitor, algumas respostas para perguntas que ouvimos com frequência nesta nossa trajetória em educação financeira. Continue conosco!

Preciso estocar produtos em casa?

A resposta é NÃO, em caixa alta mesmo! Além da questão da empatia com as demais pessoas, estocar produtos desequilibra a lei da oferta e da procura, incentiva o aumento de preços e faz com que você tenha um gasto desnecessário, investindo em algo que não precisa em grande quantidade. Sendo que este recurso poderá faltar no seu bolso em situações emergenciais.

Como lidar com a quarentena e o trabalho em home office?

Trabalhar ou estar isolado em casa não significa necessariamente economia, pois têm pessoas que vão toda hora para a geladeira ou armário em busca de algo para comer, inclusive como uma forma ilusória de aliviar a ansiedade, ou acabam se aventurando na cozinha para passar o tempo preparando, por vezes, alimentos que nem sempre serão consumidos.

Também vale reforçar que o consumo com itens como água, luz e internet será maior.

Concentre a sua atenção em atividades como leitura, procure exercitar-se para aliviar a ansiedade, crie o hábito de anotar todos os seus gastos e analise, com a participação da família, alternativas para ficar longe do descontrole financeiro.

Qual é a importância da faxina financeira?

Normalmente, as pessoas afirmam que não têm mais de onde reduzir, mas ao fazerem uma análise detalhada dos seus gastos mensais, observam que é possível. Afirmamos que, em média, até 30% dos gastos das famílias brasileiras são com supérfluos.

Por mais que esta crise não é bem-vinda, vamos aprender com ela! Observe que hoje, por uma questão de obrigatoriedade, a sua família está vivendo com menos supérfluos. Será que o fato de termos menos opções não nos mostra que é possível sim vivermos bem e sermos felizes com menos consumo?

Como fortalecer os sonhos pessoais e familiares neste período?

Por mais que o cenário para muitos seja de pesadelo, é vital nos apegarmos aos sonhos. Em outras palavras, é hora de definirmos quais são os nossos objetivos de futuro, pois eles farão com que tenhamos foco para evitar o descontrole e até mesmo o desespero.

Reúna a família e converse sobre o tema. O que vocês farão quando tudo isso passar, quais são os sonhos de cada um? Divida-os em três tipos: curto (até um ano), médio (até dez anos) e longo (acima de dez anos) prazos, definindo também quais recursos serão necessários para tirá-los do papel e transformá-los em realidade, e quanto será preciso poupar por mês.

Como fazer o orçamento familiar?

Um erro comum é acreditar que o orçamento familiar é registrar o que se ganha e diminuir o que se gasta e, se sobrar dinheiro, será lucro, e se faltar, será prejuízo. A forma mais indicada é registar todas as receitas mensais; na sequência, separar os valores pré-definidos para os projetos da família (os sonhos!) e, somente com o restante do valor, adequar os gastos domésticos. Isso forçará a família a um ajuste natural do padrão de vida.
 

Em momentos de crise, nos damos conta da importância da educação financeira. Será que não seria muito mais fácil passarmos por este período se a organização do nosso orçamento tivesse sido priorizada antes? Se a nossa reserva financeira para emergências pelo menos garantisse seis meses de manutenção da nossa qualidade de vida? Nós acreditamos que sim! Quem sabe a crise nos ensine o quanto o pilar financeiro é importante na nossa vida pessoal e familiar para que, no futuro, quando houver novas crises (sim, com maior ou menor intensidade elas continuarão a existir!), estejamos melhor preparados.